Preso por ter vacina e por não ter

Um aspecto  curioso deste país é o facto das profissões com especial responsabilidade pública, quer pela sua influência na atitude dos cidadãos, quer mesmo por influência directa no funcionamento das instituições (médicos, enfermeiros, professores, políticos) demonstrarem a todo o momento – e em particular nos piores momentos – doses maciças de irresponsabilidade.

O caso da vacina contra a Gripe A é paradigmático. Profissionais vieram levantar suspeitas e, pior, medo, em relação à vacina. Procurando descredibilizar a resposta do minstério da Saúde e o enorme trabalho da DGS e dos centros de sáude.

Em Junho, as parangonas acusavam o governo de se ter atrasado na encomenda das vacinas e que ia tudo morrer quando chegasse a gripe A.  A vacina chegou, no momento certo, e … já não querem. Compreendo que os laboratórios que não foram seleccionados para fornecer Portugal façam o seu trabalho. Mas os profissionais da saíde? Haja paciência.

Reproduzo aqui e-mail recebido de um médico, chefe de serviço no Hospital de Évora. Para mim, está tudo dito.

Como sabem sou médico e, como tal, não posso deixar passar em claro aquilo que eu acho ser uma campanha de desinformação para mim completamente incompreensível e até, eventualmente, criminosa. Admito que as pessoas mal informadas e com dificuldade em obter informação fidedigna, tenham dúvidas e se recusem mesmo a ser vacinadas. Já não admito que profissionais de saúde aconselhem outros a “não se deixarem vacinar”. Trata-se de ignorância pura, porque não há qualquer evidência de efeitos secundários que não sejam iguais aos de qualquer outra vacina. E se algum dos “aconselhados” a não se vacinar vier a desenvolver complicações graves da Gripe A? Quem responsabiliza os “conselheiros”? Cada qual é completamente livre de decidir se quer ou não ser vacinado e isto é igualmente válido para os profissionais de saude. Mas não se pode, sem qualquer fundamento científico, fazer uso da sua eventual autoridade profissional, para influenciar outros. Segue em anexo um excelente artigo de dois colegas meus (talvez as pessoas que mais sabem de Gripe A em Portugal) que foi publicado na imprensa diária. Pela minha parte, com base científica sólida, recomendo vivamente que as pessoas se vacinem. Eu, médico há 33 anos, razoavelmente informado, crítico e céptico, vacinei-me há dois dias. Nem a dor habitual no local da “picada” eu tive!… Haja saúde. Um abraço

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